Todo início de ano, os Bancos de Leite espalhados pelo Brasil enfrentam desafios para atender a demanda de leite para todos os bebês prematuros dos hospitais. A queda no número de doações costuma durar de janeiro até o mês de março. Em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, o banco está com apenas 1,5 litros de leite para alimentar toda as crianças recém-nascidas.
Quando um bebê nasce prematuro, ele não tem força suficiente para sugar o leite no peito. Sem esse estímulo, as mulheres não conseguem produzir leite suficiente. Noah, filho da auxiliar de cozinha Jaqueline Barbosa, depende do leite materno que é doado ao Biama. Sem estoque suficiente, a última alternativa é oferecer fórmula, um tipo de leite artificial, o que não é recomendado pelo Ministério da Saúde.
“É importante que alguém viesse doar por conta da necessidade, é muita criança prematura. A gente está necessitando de leite”, destaca Jaqueline.
Mesmo com a pandemia, até o final de dezembro, o Biama da cidade estava recebendo muitas doações. A instituição fornece leite para os prematuros internados no hospital Dom Malan. Atualmente, 43 bebês que nasceram na maternidade estão na unidade de cuidados internos, 12 vieram de outras unidades e oito crianças estão na UTI.
"Infelizmente acontece de realmente faltar o leite e precisa iniciar a fórmula artificial, que é muito prejudicial, principalmente, para bebês prematuros que é nossa maior demanda no hospital", lamenta a enfermeira gerente do Biama de Petrolina, Kaliane Medeiros.
As mulheres que produzem muito leite e querem doar, não precisam ir até o Biama. As equipes vão até as casas das doadoras cadastradas, orientam, ensinam a esterilizar os potinhos e como devem armazenar o leite até a entrega. "Nós seguimos os protocolos de proteção durante e após a coleta do leite. Ele vai passar por todo um processo de verificação e pasteurização para que seja ofertado da melhor maneira para o bebês", diz Kaliane.
O banco também está precisando de doação de potinhos de vidro. Eles são entregues às mulheres doadoras. A dona de casa, Raquel Souza, amamenta a filha recém-nascida e doa o leite para outros bebês prematuros. "Muito feliz, muito gratificante saber que posso ajudar outros bebês, outras vidas, não tem nem explicação", conta Raquel.
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