O PP e o União Brasil, que formam uma federação, declararam apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial, num revés para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As duas siglas têm representantes na Esplanada petista e se mantiveram neutras na eleição geral no primeiro turno, quando Lula ainda era considerado favorito nas eleições.
A decisão da federação foi anunciada nesta terça-feira após uma reunião das Executivas Nacionais dos dois partidos com os presidentes de diretórios estaduais, deputados e senadores. Segundo a senadora Tereza Cristina (PP-MS), líder da sigla no Senado, a decisão foi unânime e os partidos "fecharam questão" sobre o apoio. Apesar disso, evitou responder se algum filiado será punido se declarar apoio a Lula.
— Isso vai ser discutido depois, mas o partido deu um encaminhamento e a grande maioria votou sim agora no segundo turno — disse.
Os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil , Antonio Rueda, também estiveram presentes no encontro, mas não participaram da coletiva de impresa para anunciar a decisão da federação. Os dois dirigentes já conversaram com Flávio Bolsonaro, segundo relatos de um integrante da cúpula da federação.
Está previsto um ato com o presidenciável e representantes desses partidos na manhã desta quarta em Brasília. Nesta terça, Flávio foi a Goiás se reunir com Ronaldo Caiado (PSD), quinto colocado no primeiro turno, para receber apoio do ex-governador. O PSD, no entanto, definiu no próprio domingo que ficará neutro, liberando seus filiados.
Flávio também se reuniu com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP), em busca de apoio. Uma reunião com a bancada do partido no Congresso está prevista para ocorrer na tarde desta quarta, e políticos já falam que a tendência é que o partido também endosse a candidatura de Flávio, mas não puna filiados que apoiam Lula.
Apesar de a decisão desses partidos do chamado Centrão representarem um revés para o presidente da República, ela já era dada como provável pelo entorno do petista. A estratégia de aliados do presidente será atuar para atrair setores e lideranças dessas siglas. Antes do primeiro turno, o próprio petista conversou com dirigentes partidários para garantir a neutralidade.
A expectativa é que Lula tenha apoio de lideranças como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O senador não declarou posição na eleição nacional no primeiro turno, mas tem se aproximado do petista nas últimas semanas, tendo como pano de fundo interesses eleitorais e a busca por sua reeleição no comando do Senado.
Alcolumbre não participou da reunião nesta terça, numa sinalização de que ele não deverá apoiar Flávio explicitamente. Mais cedo, ele se reuniu com o ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para discutir a tramitação do fim da jornada de trabalho 6x1, considerada prioritária para Lula e uma proposta que poderá dar fôlego eleitoral ao petista.
A expectativa de governistas é que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que começará a ser discutida nesta terça no Senado possa ser votada até a próxima semana e, portanto, antes do segundo turno. Apesar de não haver uma garantia de acordo dessa votação, aliados de Lula dizem contar com o debate político em torno do tema para pressionar pelo avanço e desgastar Flávio Bolsonaro. O Globo


