quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Dona de empreiteira que ganhou R$ 8 milhões do Maranhão é revendedora de maquiagens
No papel, contudo, Aglai Fernanda Cruz é a dona de suposta empreiteira que foi subcontratada em uma obra de R$ 235 milhões do governo do Maranhão. A companhia, no entanto, acumula indícios de ser uma empresa de fachada: não tem site nem perfil nas redes sociais, tampouco funcionários ou veículos.
A construção da nova Avenida Litorânea, que vai ligar São Luís ao município vizinho de São José de Ribamar, tem sido anunciada pelo governo de Carlos Brandão (sem partido) como uma “obra histórica”, mas auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) identificaram oito “graves irregularidades” no empreendimento, da licitação à execução, e já analisam eventuais responsabilizações aos gestores, conforme revelou a coluna. A obra é financiada com recursos federais do Novo PAC e executada pela gestão de Carlos Brandão.
Uma dessas impropriedades se deve à subcontratação da Agla’S Infraestrutura Ltda., a empreiteira da revendedora de maquiagens. A empresa chegou a receber R$ 8 milhões para tocar parte da obra. No entanto, a companhia foi afastada, no fim do ano passado, após o TCU apontar irregularidades. No total, a Agla’S receberia R$ 24 milhões.
A subcontratação foi um requisito imposto pelo governo do Maranhão durante a fase de licitação. A exigência estava prevista no edital do pregão e serviu de motivo, inclusive, para desclassificar uma concorrente da disputa – o que, segundo o TCU, representou uma restrição à competitividade. A auditoria do tribunal de contas revela potenciais danos econômicos, à moralidade e à probidade administrativa em razão das irregularidades.





Aglai Fernanda Cruz, a dona da suposta empreiteira, também é professora da rede estadual do Maranhão desde 2004, está lotada em um centro educacional em São José de Ribamar e ganha um salário de R$ 6.054,55. A legislação proíbe que servidores públicos sejam administradores de empresas e, ainda mais, que sejam contratados pelo estado.
“Além do mais, a participação de subcontratada na licitação foi obrigatória e esta foi apresentada à administração ainda durante o certame, não sendo razoável alegar desconhecimento de que empresa de um servidor público estadual estaria sendo beneficiada em contratação do estado”, diz o relatório de fiscalização do TCU.

Aglai Fernanda Cruz também responde por improbidade administrativa na Justiça do Maranhão. Segundo denúncia feita pelo Ministério Público (MPMA) em dezembro de 2021, a empresária foi beneficiada diretamente por uma esquema de fraude em licitação e desvio de recursos públicos envolvendo a Prefeitura de Vitorino Freire (MA). O esquema também contava com a participação de empresas de fachadas e a intermediação de Igor Silva Cruz, marido de Aglai e ex-presidente da Comissão Permanente de Licitação (CPL) da cidade.
A coluna procurou Aglai Fernanda Cruz por meio das redes sociais e do número de telefone disponível no cadastro na Receita Federal da Agla’S Infraestrutura, mas não houve retorno.
Em nota enviada à coluna, o governo do Maranhão alegou que não teve qualquer participação na subcontratação da Agla’S Infraestrutura Ltda. “A empresa vencedora [Lucena Infraestrutura] foi definida exclusivamente com base nos critérios objetivos previstos no edital e na proposta apresentada, conforme as regras da Lei nº 14.133/2021. Além disso, destaca que o estado do Maranhão não realizou contratação direta com a [Agla’S Infraestrutura]. A empresa vencedora do certame teria por obrigação legal subcontratar parte dos serviços. A subcontratação foi realizada dentro das hipóteses legais, processo do qual o Estado não teve qualquer participação”, explicou.

O TCU esperava, contudo, que o governo do Maranhão tivesse analisado a capacidade da Agla’S Infraestrutura antes de subcontratar a empresa.
“Dessa forma, tendo em vista que a subcontratada foi apresentada nessa condição para executar serviços do contrato da ordem de R$ 24,2 milhões, era esperado que se apresentassem atestados e comprovações que indicassem as reais capacidades operacionais e técnicas da empresa para a execução desses serviços, conforme art. 122, § 1º, da Lei 14.133/2021, o que não foi feito”, disparou o Tribunal de Contas da União.
TCU não achou funcionários da Agla’S em obra no Maranhão
Além disso, em visita realizada às obras da nova Avenida Litorânea, os técnicos do TCU não acharam funcionários da Agla’S Infraestrutura no local.
“Etapas do serviço de drenagem profunda, que são de responsabilidade da empresa subcontratada, já haviam sido executadas e outras estavam em execução. E, nesse período, a equipe de auditoria presenciou tão somente funcionários da empresa contratada, Lucena Infraestrutura Ltda, em campo, conforme se observa das fotos apresentadas pela equipe de auditoria, não havendo indicativo de participação efetiva da empresa Agla’S Infraestrutura nas obras”, detalhou a área técnica do tribunal de contas.

“Frisa-se também que a instalação dos tubos PEAD, sob responsabilidade da subcontratada, já estava em curso em 26/4/2025, segundo dia de atividades da empresa Agla’S Infraestrutura Ltda. Todavia, as informações relativas a esse dia constantes do diário de obra da subcontratada não dão conta da execução desse serviço. O diário de obra referente ao dia 3/5/2025 é o primeiro em que consta a execução da implantação dos referidos tubos”, prosseguiu o relatório de fiscalização.
O TCU também identificou pagamentos irregulares à Lucena Infraestrutura Ltda por serviços que deveriam ter sido executados pela Agla’S Infraestrutura Ltda. “Isso levou à destinação indevida de R$ 3.176.746,40 à empresa Lucena Infraestrutura Ltda, impactando o cumprimento da legalidade administrativa e gerando potencial dano econômico ao erário.”
Já leu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Acesse a coluna do Metrópoles.
Interrogatório de Vorcaro na CPMI será na segunda-feira
STF oscila entre o medo de Moraes e a blindagem
O jornalismo investigativo revelou do contrato milionário do Master com a esposa advogada de Moraes e o espantoso caso do resort Tayayá.
O inquérito na Receita acabou trincando a sensação de medo e conforto dentro e fora do STF, e Moraes passou a ser criticado, mas, em off.
Vários juristas disseram ao Estadão que inquérito de Moraes na Receita viola o devido processo legal e usurpa a competência da 1ª instância.
Adolescente é morto a tiros no bairro Pedra Linda, em Petrolina-PE
Petrolina tem previsão de chuvas intensas nesta quinta e sexta-feira
Veja as vagas de trabalho nesta quinta-feira (19), em Petrolina-PE
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Homem é flagrado com quase meio quilo de maconha na Rodoviária de Petrolina
Mulher é morta a tiros no bairro Dom Avelar em Petrolina
Homem é assassinado próximo a escola evangélica no Henrique Leite
Quarta-feira de cinzas: veja a programação de missas em Petrolina
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Oposição aciona PGR por evangélicos em “lata de conserva” em desfile
A escola, que abriu a primeira noite de desfiles do Grupo Especial no Rio de Janeiro, apresentou uma ala batizada de “neoconservadores em conserva". A fantasia trazia uma lata, representando uma família tradicional, composta por um homem, uma mulher e os filhos.
Na cabeça, os componentes traziam adereços variados com referência ao agronegócio, a uma mulher de classe alta, aos defensores da ditadura militar e aos evangélicos.
Os autores das notícias-crime foram o senador Magno Malta (PL-ES) e o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS). Nos dois pedidos, os parlamentares sustentam que houve ridicularização pública do grupo religioso em apresentação transmitida nacional e internacionalmente. Para eles, a encenação ultrapassou a manifestação artística e pode configurar crime.
Magno Malta enquadra o episódio como discriminação religiosa, com base no artigo 20 da Lei 7.716/1989. O senador afirma que a representação promoveu a equiparação visual de fiéis a objetos enlatados, expondo evangélicos a escárnio coletivo. Ele pede a abertura de investigação criminal e a responsabilização dos envolvidos.
Já Rodolfo Nogueira aponta possível violação do artigo 208 do Código Penal, que trata do escarnecimento público por motivo de crença religiosa. O deputado destaca que um personagem identificado como evangélico aparecia dentro da alegoria portando a Bíblia, o que, segundo ele, reforça o caráter vexatório.
Na avaliação do parlamentar, estão presentes a publicidade da conduta, o uso de símbolo religioso reconhecível e a difusão massiva. Ele solicita a obtenção das gravações do desfile e a identificação dos responsáveis pela concepção do conteúdo.
CNN
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Segundo homicídio do dia em Petrolina-PE, desta feita no N-8, interior
Ciclista morre após ser atingido por carro e motorista não parar para prestar socorro
Armas e cocaína são apreendidas em terreno baldio no Residencial Vivendas
Homem é assassinado no bairro Vale do Grande Rio, em Petrolina-PE
Petrolina (PE): Homem é assassinado a tiros quando chegava em casa no Loteamento Padre José de Castro
A vítima foi surpreendida por suspeitos que chegaram em um veículo de cor cinza. Romário foi alvejado e não resistiu. A Polícia Civil investiga o caso.
(Informações repórter Ivo da Hora)
Careca do INSS prepara proposta de delação premiada expondo negócios com Lulinha
Lulinha vive em Madri, na Espanha
Como revelou a coluna, Lulinha se mudou para Madri, na Espanha, desde que as investigações sobre o esquema do INSS avançaram. Ele nunca comentou o assunto. Coube ao presidente Lula falar pelo filho.
“Eu chamei meu filho aqui, e falo isso para todo mundo. Olhei no olho do meu filho e falei: ‘Você sabe a verdade, só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda’”, afirmou ao UOL.
Na mesma entrevista, o presidente disse que defendeu a instalação da CPMI do INSS. Só omitiu que sua ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e sua base de apoio no Congresso atuam contra as investigações, sobretudo as que envolvem uma suposta participação de Lulinha.
Os negócios de Lulinha
O filho do presidente teria sido contratado pelo Careca para ajudar na empresa de cannabis medicinal, a World Cannabis. A companhia tinha operações nos Estados Unidos, em Portugal e no Brasil. Lulinha auxiliaria na articulação política do projeto.
Segundo um colaborador da PF, Lulinha teria recebido R$ 25 milhões de Careca, além de uma mesada de R$ 300 mil.
O plano da World Cannabis seria produzir medicamentos à base de cannabis e vender esses insumos ao Sistema Único de Saúde (SUS). A empresa chegou a elaborar um projeto para apresentar ao Ministério da Saúde, batizado de Projeto Amazônia. Como revelou a coluna, Lulinha viajou para Portugal com o Careca do INSS, que pagou as despesas aéreas.
Alta cúpula do Congresso
Uma delação de Careca do INSS, contudo, não atingiria apenas o filho do presidente. A PF também investiga a participação de autoridades com foro no esquema. Um deles, o vice-líder do governo Lula no Senado, Weverton (PDT-MA).
A defesa de Careca tem negado que ele irá propor uma delação premiada.
Dois acidentes automobilísticos deixam três vítimas fatais em Remanso-BA e Curaçá-BA
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Cesta básica no Sertão de Pernambuco tem alta puxada por carne, energia e matéria-prima
A pesquisa estimou que em janeiro o custo da cesta básica foi de R$ 606,92. A carne bovina teve alta em função de uma menor quantidade de animais para abate e aumento das exportações. Segundo a pesquisa, este comportamento é o esperado para o ano de 2026 devido um forte descarte de fêmeas que causa redução de animais jovens.
Os aumentos de custos da energia elétrica e da matéria-prima também explicam o aumento do pão francês. Por outro lado o leite, o arroz e o açúcar tiveram queda de preços. No caso do leite e arroz, a queda deve-se ao bom estoque destes produtos.
Para o açúcar, também um desequilíbrio entre uma maior oferta e uma menor demanda explicam o motivo desta queda de preços em janeiro. A recomendação do coordenador da pesquisa, Professor Doutor João Ricardo Lima é de que os consumidores fiquem atentos e pesquisem para economizar.
Vergonha: Revista britânica cita o Brasil como exemplo negativo de economia
Com a Selic em 15% ao ano, a publicação afirma que o governo deverá tomar emprestado cerca de 8% do PIB apenas para pagar juros, mesmo com as contas primárias próximas do equilíbrio.
A dívida líquida, em 66% do PIB, é vista como alta para emergentes, mas ainda abaixo dos padrões do mundo rico.
Para a revista, o Brasil funciona como um “alerta antecipado” do que pode acontecer com países avançados.
O texto destaca que as próximas eleições devem girar em torno da criminalidade e do bolso do eleitor, além de apontar entraves como a difícil situação fiscal, privilégios ao funcionalismo e o sistema tributário complexo.
O editorial acrescenta que os Estados Unidos já exibem sinais iniciais do processo, com instituições sob pressão e inflação mais resistente no pós-pandemia. Leia aqui o texto na íntegra.
Polícia Civil prende liderança do Comando Vermelho em Cabrobó
Saiba o que abre e fecha em Petrolina durante o Carnaval
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Ela sim! Eliane Soares bem avaliada rumo à câmara federal
Trânsito em Petrolina sofre alterações para o Carnaval; veja horários e ruas afetadas
Apae Petrolina promove carnaval inclusivo com o bloco “Sou Legal”
Veja as vagas de trabalho nesta quinta-feira (12), em Petrolina-PE
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
PF encontra menção a Toffoli em celular de Vorcaro
Continua agenda internacional de Flávio Bolsonaro
Entre os encontros estiveram nomes como Marion Maréchal, Thierry Mariani e François Bellamy. A proposta é fortalecer pontes com setores políticos alinhados ao conservadorismo europeu e ampliar a interlocução internacional.
A agenda integra um roteiro que incluiu discurso no Knesset, em Israel, e compromissos oficiais no Bahrein. Enquanto o governo federal enfrenta críticas por ruídos diplomáticos recentes, o senador aposta na construção de relações externas como parte da estratégia para 2026.
Filho de Bolsonaro relata preocupação com saúde do ex-presidente na prisão
Segundo o parlamentar, Bolsonaro sofre com crises persistentes de soluço crônico, condição que o acompanhou durante toda a última madrugada. A família alerta para o risco iminente de broncoaspiração, uma complicação grave que pode ocorrer devido à falta de acompanhamento médico contínuo na unidade prisional, colocando em risco a vida do ex-presidente.
Com mais de seis meses de detenção, o estado de saúde de Jair Bolsonaro é descrito como delicado. Além dos soluços, o filho mencionou a existência de “mais de uma dezena de comorbidades” que se agravaram no cárcere.
“A sensação de impotência é grande”, afirmou Eduardo em nota. Ele classificou a prisão como “desonesta” e criticou o que chama de substituição do respeito às garantias constitucionais por “covardia”. O deputado também estendeu as críticas ao tratamento dispensado ao que classifica como outros “presos políticos”.
Apesar das adversidades físicas, o relato destaca que o ex-presidente mantém a firmeza ideológica. “Não sei de onde o Velho tira forças”, pontuou o filho, agradecendo o apoio dos simpatizantes.
A defesa de Bolsonaro tem reiterado pedidos de revisão das medidas cautelares junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que a manutenção da prisão preventiva é desnecessária diante do quadro clínico apresentado. O sistema penitenciário ainda não emitiu boletim oficial atualizado sobre o atendimento médico prestado nas últimas 24 horas.
Homem é brutalmente assassinado nas proximidades de ponto turístico de Petrolina-PE
Corpo em decomposição é achado em campus da Univasf; polícia investiga
Festa dos demagogos: Lula e Mota empobrecem o debate sobre o fim da escala 6×1 que pode causar estragos à economia
Opinião Estadão
Diz-se que a eleição é a “festa da democracia”. A julgar pelo tratamento inconsequente dado pelo Congresso e pelo Palácio do Planalto às propostas que acabam com a escala de trabalho 6×1, o pleito deste ano também será uma festa para os demagogos. Como sói acontecer neste país, o calendário eleitoral dá asas ao pensamento mágico dos próceres de Brasília. Temas complexos, de profundas consequências sociais e econômicas, são empacotados para consumo rápido nos palanques físicos e digitais. A discussão sobre o fim da escala 6×1 caminha a passos largos para ser mais um desses casos.
A movimentação recente do Legislativo e do Executivo não deixa dúvidas. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu acelerar a tramitação de uma proposta de emenda à Constituição que extingue a escala 6×1, enviando-a à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Aparentemente, o rito constitucional – CCJ, comissão especial e, depois, dois turnos de votação em plenário, com quórum qualificado – contrasta com a pressa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que gostaria de tratar do tema por meio de projeto de lei com urgência constitucional. A divergência formal, contudo, é a superfície de uma disputa pela paternidade da pauta, cujo apelo popular é ativo valioso neste ano eleitoral.
Motta foi explícito ao confessar que “o Parlamento quer puxar para si o protagonismo desse tema”. Mais do que isso, adotou um discurso de fazer chorar de orgulho o mais aguerrido dos militantes petistas ao classificar o fim da escala 6×1 como “uma pauta histórica da classe trabalhadora”. É curiosa, mas não surpreendente, essa mudança de atitude do presidente da Câmara, que, até pouco tempo atrás, tratava o fim da escala 6×1 com as reservas que a matéria impõe. Mas a proximidade da eleição causa mesmo esse tipo de mutação.
Na visão de Motta, os críticos ao fim da escala 6×1 são os mesmos “pessimistas” que, no passado, teriam sido “contra o fim da escravidão” ou “a criação da carteira de trabalho”. Segundo esse gigante do pensamento político brasileiro, sempre que o Brasil teve “coragem de enfrentar essas pautas”, venceu. A um só tempo, essa analogia é intelectualmente indigente e politicamente reveladora. Ora, colocar no mesmo patamar a abolição da escravidão – uma causa civilizatória para cicatrizar uma chaga moral – e a redução da jornada de trabalho, cujos impactos econômicos são incontroversos, é o tipo de simplificação que deve ser evitada na tramitação de qualquer projeto no Congresso, especialmente um dessa envergadura. Eis o nível do debate que se prenuncia.
A realidade, sempre ela, insiste em atrapalhar a demagogia. No fim de 2024, quando o fim da escala 6×1 ganhou tração nas redes sociais, o economista Daniel Duque, da Fundação Getulio Vargas (FGV), estimou que a redução da jornada para 40 horas semanais implicaria perda de 2,6% da renda da economia. Se a redução chegasse a 36 horas, a queda seria de 7,4%, impacto semelhante ao da recessão causada pelos desatinos da ex-presidente Dilma Rousseff (ver editorial Uma PEC feita para o palanque, 21/12/2025).
Não se trata, portanto, de ser contra ou a favor da redução da jornada de trabalho por si mesma, mas de não causar uma queda deliberada do potencial de crescimento econômico, de emprego e de renda no País. Mais bem dito: falar no fim da escala 6×1 é, necessariamente, falar em aumento da produtividade. E o Brasil está longe disso. O País ocupa a vergonhosa 58.ª posição, entre 69 nações, no Ranking de Produtividade 2025 do International Institute for Management Development (IMD), atrás de países como Bulgária e Quênia. Entre 1995 e 2024, mostrou um estudo do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, da FGV, apenas o agro registrou ganhos de produtividade, na ordem de 5,8% ao ano. A indústria amargou queda média de 0,3% ao ano no mesmo período.
Ignorar esse quadro é escolher o atraso. Reduzir a jornada de trabalho pode ser um objetivo legítimo no futuro, não agora. Tratar do tema sob influência das paixões do debate eleitoral, sem enfrentar a questão da baixa produtividade, é impingir uma pesada conta à economia brasileira. E ela chegará depois da festa.
C&A anuncia fechamento de 24 filiais em meio a crise
A C&A, marca amplamente conhecida pelo público brasileiro, confirmou que vai encerrar 24 lojas físicas na França até 2026, c...