O alto volume de chuva registrado em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, entre o final de fevereiro e o início de março, mudou a paisagem de um ponto histórico que fica no Distrito de Rajada, na zona rural. Após cerca de seis anos, o Açude das Pedras, que abriga figuras rupestres de mais de seis mil anos, sangrou, submergindo as rochas e fazendo a alegria dos moradores locais.
Em janeiro, o g1 Petrolina esteve no Açude das Pedras para mostrar o sítio arqueológico. O local estava com pouca água, deixando as figuras visíveis. Com a cheia, o professor Genivaldo Nascimento diz que as gravuras passarão alguns anos submersas.
“Imaginar que estivemos lá há pouco tempo, agora aquelas gravuras só poderão ser vistas daqui a uns cinco ou seis anos”, diz o professor, explicando o processo que fez o Açude das Pedras sangrar. “O ciclo dele dura de seis a oito anos. Geralmente, ele não sangra todo ano porque precisa da água que vem de outras barragens. As barragens precisam sangrar para água ir para o Açude, então tem que ter um período de chuva muito forte para que essas barragens sangrem”.
O professor Genivaldo é um dos responsáveis por dar um significado científico às gravuras encontradas em Rajada. Graças ao trabalho dele, em 2015 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou um mapeamento de figuras rupestres encontradas em três sítios arqueológicos de Rajada. Antes, as figuras históricas eram vistas pelos moradores como “desenhos de índio”.
“Eu mandei fotos dessas gravuras para o professor Juvandi Santos, da Universidade Estadual da Paraíba, ele estuda a Pedra do Ingá, e ele confirmou que eram gravuras. E aí eu entrei em contato com o Iphan, com o Ministério Público e, de 2015 para cá, nós divulgamos do ponto de vista científico essas gravuras”, diz o professor. “O povo sempre soube que aqui tinha esses desenhos, mas nós não sabíamos da importância científica e histórica”, destaca Genivaldo.
Sofrendo com ação de vândalos e com falta de preservação, o professor acredita que a natureza encontrou uma forma de proteger as gravuras históricas. “Veja como os movimentos da natureza são show de bala. O ser humano não cuida, aí ela com os movimentos dela, cuida. Agora as gravuras estão protegidas durante cinco anos”. G1
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