sexta-feira, 19 de março de 2021

Magno Martins: governador, cadĂȘ o dinheiro da Covid?


Na véspera do prazo legal para informar ao Legislativo quanto investiu no Estado na pandemia e nas açÔes federais em geral com os R$ 4 bilhÔes repassados pela União, o governador Paulo Cùmara comunicou, ontem, ao deputado Alberto Feitosa (PSC), autor do requerimento, que só gastou R$ 471 milhÔes dos R$ 800 milhÔes da rubrica específica da Covid-19.

Foi uma explicação sem muitos detalhes, tanto que o parlamentar nĂŁo se deu por satisfeito. Feitosa disse ao Frente a Frente, ontem, que o governador nĂŁo explicou muitas coisas. Uma delas, que retirou R$ 70 milhĂ”es da fonte de recurso “Enfrentamento ao CoronavĂ­rus – Livre Aplicação”, do Governo Federal, para abater parte da dĂ­vida pĂșblica do Estado. Na Ă©poca, a justificativa dada pelo Governo foi que havia excesso de receita.


Esses recursos federais deveriam ter sido empregados na aquisição de mais leitos de UTI como forma de prevenção para caso acontecesse uma nova onda. Mas não foi o que se deu de fato, com pontos mais graves que o governador também não explica. Em agosto de 2020, hospitais de campanha começaram a ser fechados no Estado e nem todos os leitos de UTI que atuavam nesses hospitais foram mantidos abertos, quando não se tinha segurança quanto ao controle da doença.


 Ă€ Ă©poca, alegou-se que parte da estrutura permaneceria guardada em galpĂ”es caso fosse necessĂĄria sua reinstalação. HistĂłria de trancoso, pois o Governo de Pernambuco realizou nova licitação para abrir outro hospital no bairro dos Coelhos, no Recife, onde jĂĄ tinha funcionado um hospital. TambĂ©m foi alegado, Ă  Ă©poca, que o fechamento dos hospitais de campanha estava acontecendo por conta da baixa demanda.


Mas não havia, entretanto, indícios de que esse recuo fosse permanente e nem de que iria se manter quando as atividades chegassem a ser retomadas. O resultado foi uma segunda onda que pegou o Estado totalmente desprevenido. Jå em outubro e novembro de 2020, o Governo fez vista grossa para diversas aglomeraçÔes nas campanhas eleitorais, muitas delas pelo próprio partido do governador, o PSB, o que propiciou um novo pico de Covid-19 após a eleição.


TambĂ©m Ă© importante lembrar que o Governo nĂŁo atuou de forma efetiva para evitar aglomeraçÔes no perĂ­odo das fĂ©rias de verĂŁo, delegando a responsabilidade para os municĂ­pios, que nĂŁo tinham estrutura para chegar a toda a população. Um misto de incompetĂȘncia na gestĂŁo do Governo de Pernambuco durante a pandemia com a Ăąnsia de atender a interesses eleitorais e econĂŽmicos resultou na saturação do sistema de saĂșde do Estado, conforme se observa neste momento. A resposta do governador foi impor uma nova quarentena, medida muito prejudicial Ă  economia do Estado, deixando funcionando ĂĄreas de interesse dos seus aliados, como o comĂ©rcio de veĂ­culos, ĂĄrea nem de longe considerada essencial. Por Magno Martins 

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