domingo, 26 de maio de 2024

Dez por cento das mulheres acima de 40 anos manifestam algum problema na tireoide

Dez por cento das mulheres acima dos 40 anos apresentam algum problema na tireoide, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Uma das condições que afeta a tireoide, o hipotireoidismo, acarreta a diminuição da produção dos hormônios T3 e T4, essenciais para o bom funcionamento do metabolismo e do organismo.

Essa disfuncionalidade da tireoide causa sintomas que impactam a qualidade de vida dos pacientes, mas são pouco específicos. A disfunção pode causar fraqueza, cansaço excessivo, desânimo, diminuição da memória, irregularidade menstrual, desaceleração dos batimentos cardíacos, intestino preso, queda de cabelo, ganho de peso e aumento do colesterol no sangue.

Por serem facilmente confundidos com outras doenças, como a depressão, dengue e covid-19, esses sintomas podem dificultar ainda mais o diagnóstico, sendo importante o acompanhamento por um médico especialista. No Brasil, estima-se que até 22 milhões de pessoas sofram com a doença, que é de 5 a 8 vezes mais frequente nas mulheres.

Tratamento
O tratamento para hipotireoidismo normalmente é feito com reposição do hormônio tireoidiano. O sucesso do tratamento exige disciplina do paciente, desde a busca pelo diagnóstico até o tratamento adequado, com horários e dosagens corretos. É importante também o acompanhamento próximo do médico.

Para pacientes em polifarmácia (que fazem uso de mais de quatro medicamentos simultaneamente), por exemplo, a jornada de tratamento pode ser mais desafiadora, devido à necessidade de gerenciar múltiplos medicamentos que interagem, aos riscos associados a interações medicamentosas e às condições de saúde associadas. A eficiência na adesão ao tratamento está relacionada à regularidade na administração diária do medicamento, que consiste em um único comprimido na dosagem adequada.

É o caso da jornalista e coordenadora da Coalizão Vozes do Advocacy, Vanessa Pirolo, que além do tratamento para hipotireoidismo, é paciente de diabetes tipo I. O diagnóstico de hipotireoidismo foi resultado de um câncer na tireoide.

“Minha mãe foi a primeira a ter o nódulo na tireoide detectado e, após exames complementares, fez a retirada da tireoide. Na sequência, as mulheres da minha família foram passando pelo mesmo processo. Na minha vez, a detecção foi bem precoce e hoje faço o tratamento seguindo as recomendações do médico quanto a jejum e dose, com visitas de rotina a cada seis meses”, disse Vanessa.

A médica Laura Ward reforça as recomendações de seguir o tratamento continuamente logo após o diagnóstico de hipotireoidismo. “O tratamento para o hipotireoidismo é contínuo, pode durar a vida inteira e requer uma rotina diária de medicação. Por isso, os pacientes precisam compreender plenamente a importância da adesão correta ao tratamento e os riscos associados à falta de tratamento adequado, que podem resultar em impactos consideráveis em sua qualidade de vida”, afirmou Laura, que é endocrinologista, pesquisadora e professora titular da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP.

A baixa adesão ao tratamento pode levar a uma qualidade de vida reduzida e a um aumento do risco de complicações a longo prazo, como elevação de colesterol e/ou triglicerídeos, hipertensão arterial, problemas cardiovasculares, infertilidade e depressão.

A Dra. Laura recomenda algumas dicas práticas que podem ajudar na rotina de administração de medicamentos contínuos, como os usados no tratamento dos distúrbios da tireoide:

Estabeleça um horário regular associado a hábitos rotineiros: associar a tomada do medicamento com uma atividade diária, como escovar os dentes pela manhã, pode ajudar a evitar que o medicamento seja esquecido.
Defina lembretes: utilizar alarmes no celular, aplicativos de lembrete de medicamentos ou até mesmo notas visuais em locais de fácil visualização também são estratégias que auxiliam a gerenciar a rotina de medicamentos que precisam ser tomados.
Guarde o medicamento em local de fácil acesso: manter os medicamentos ao alcance facilita o cumprimento do tratamento prescrito pelo médico, além de ajudar a monitorar a quantidade de medicamento disponível, evitando interrupções no tratamento.
Diagnóstico
Apesar de ser uma doença que exige cuidados, 40% das pessoas diagnosticadas com hipotireoidismo não realizam o tratamento de forma adequada. Diante desse cenário, incentivar o paciente a realizar o tratamento corretamente e obter informações que o ajudem no diagnóstico são desafios que influenciam no tratamento do hipotireoidismo.

A detecção é feita por exames de sangue para analisar o TSH, hormônio estimulante da tireoide, que precisa ser repetido após 4 a 6 meses para a conclusão do diagnóstico de hipotireoidismo. Isso porque existem elevações transitórias do TSH por várias causas. A dosagem de TSH e de outros parâmetros estabelece a causa do hipotireoidismo e, posteriormente, também é importante para acompanhar a eficácia do tratamento.

“Os sintomas pouco característicos do hipotireoidismo geram muitas dúvidas nas pessoas, por isso é importante que elas procurem um médico para investigar a causa desses sintomas e pedir os exames necessários. Persistir no caminho do diagnóstico evitará não apenas o agravamento da doença, mas também as chances de receber um diagnóstico e fazer um tratamento inadequado”, concluiu Laura Ward. 

Fonte: https://jc.ne10.uol.com.br/colunas/saude-e-bem-estar/2024/05/24/dez-por-cento-das-mulheres-acima-de-40-anos-manifestam-algum-problema-na-tireoide.html

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