A organização TransparĂȘncia Internacional-Brasil divulgou nesta segunda-feira (5) uma nota tĂ©cnica com crĂticas Ă baixa disponibilização de dados sobre os projetos vinculados ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), conduzido pelo governo federal.
A entidade alerta para riscos de fraude, mĂĄ gestĂŁo e impactos socioambientais diante das lacunas de transparĂȘncia identificadas. De acordo com o estudo, das 23.059 obras listadas atĂ© dezembro de 2024, apenas 8.297 (35,98%) possuem links com dados detalhados. Considerando o total previsto de R$ 1,3 trilhĂŁo em investimentos atĂ© 2026, apenas R$ 79,5 bilhĂ”es (5,67%) tĂȘm informaçÔes acessĂveis ao pĂșblico.
A Casa Civil, responsĂĄvel pela coordenação do programa, nĂŁo respondeu aos questionamentos da entidade. Segundo os pesquisadores, as melhorias promovidas desde 2024 elevaram discretamente a nota da transparĂȘncia do PAC de 8,15 para 12,12 pontos numa escala de 0 a 100. O resultado Ă© considerado “pouco significativo” frente Ă s persistentes omissĂ”es, mesmo apĂłs dois anos da execução da atual fase do programa.
O documento externa que a falta de dados ocorre mesmo em projetos com alto potencial de impacto ambiental, especialmente em regiĂ”es sensĂveis como a AmazĂŽnia. A anĂĄlise ganha relevĂąncia adicional diante da realização da COP30, sediada em BelĂ©m, e do fato de o Novo PAC incluir eixos vinculados diretamente Ă pauta ambiental, como o de “Transição e Segurança EnergĂ©tica”, responsĂĄvel por 35% dos recursos previstos e que abrange 908 projetos.
Entre os dados ausentes estĂŁo estudos de viabilidade tĂ©cnica, econĂŽmica e ambiental, editais de licitação e relatĂłrios de impacto Ă natureza. O estudo ainda aponta que o portal do Novo PAC carece de integração com outros sistemas pĂșblicos e de maior detalhamento das obras sob execução direta da UniĂŁo.
A nota sustenta ainda que seis dos nove eixos do programa zeraram na avaliação da entidade, o que significa que nenhuma das informaçÔes exigidas pelos critĂ©rios de transparĂȘncia foi disponibilizada.
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