sĂĄbado, 4 de abril de 2026

Como uma mentalidade positiva pode ajudar vocĂȘ a viver mais

Nan Niland, 72 anos, trabalhou como dentista por 40 anos. “Era realmente a minha autoidentidade”, diz. “Provavelmente atĂ© demais.” Quando se aposentou, em 2020, ela estabeleceu uma rotina de exercĂ­cios, leitura, costura e tempo na natureza. Mas, depois de um tempo, começou a sentir falta de um pouco mais de estrutura e propĂłsito.

EntĂŁo leu, em um boletim local, sobre a organização beneficente Welcome Home, de Newton, Massachusetts. A instituição funciona como uma despensa de itens domĂ©sticos, coletando e redistribuindo utensĂ­lios para famĂ­lias necessitadas. Hoje, Nan faz trabalho voluntĂĄrio lĂĄ cerca de 15 horas por semana. “Eu precisava sentir que estava fazendo algo alĂ©m de agradar a mim mesma”, analisa.

Muito jĂĄ se escreveu sobre como comportamentos fĂ­sicos, como exercĂ­cio, dieta e sono, contribuem para uma vida longa e saudĂĄvel. Mas pesquisas sugerem que, Ă  medida que vocĂȘ envelhece, uma mentalidade positiva — incluindo otimismo e senso de propĂłsito — tambĂ©m pode beneficiar sua saĂșde e longevidade.

Importar faz diferença

Sentir que vocĂȘ Ă© valorizado e tem algo a oferecer aos outros, muitas vezes chamado de “mattering” (sentir-se importante), pode incentivar comportamentos de saĂșde positivos que influenciam a longevidade. “Se vocĂȘ sente que importa, Ă© mais provĂĄvel que permaneça socialmente conectado, cuide de si mesmo, esteja presente para os outros e continue investindo na vida”, diz Jennifer B. Wallace, autora de um novo livro, “Mattering”.

Quando Linda Fried trabalhava como geriatra na Johns Hopkins Medicine, no inĂ­cio da carreira, percebeu que muitos de seus pacientes estavam “legitimamente doentes”, mas a causa da doença vinha de “nĂŁo terem um motivo para levantar da cama pela manhĂŁ”.

Hoje professora de epidemiologia e medicina na Universidade Columbia, Linda começou a recomendar que seus pacientes fizessem trabalho voluntĂĄrio em organizaçÔes com as quais se importassem. Pouco depois, criou seu prĂłprio programa de voluntariado para estudar os possĂ­veis benefĂ­cios em adultos mais velhos.

Linda descobriu que pessoas que faziam trabalho voluntĂĄrio aumentavam seus nĂ­veis de atividade e se sentiam fisicamente mais fortes apĂłs alguns meses de serviço. Elas tambĂ©m melhoraram modestamente seus resultados em testes cognitivos e obtiveram pontuaçÔes mais altas em um questionĂĄrio que avaliava sentimentos sobre legado e impacto na comunidade.

O voluntariado nĂŁo Ă© o Ășnico caminho para sentir que se importa. Tornar-se frequentador habitual de um cafĂ©, parque para cĂŁes ou outro “terceiro lugar” tambĂ©m pode ajudar a se sentir mais conectado. “Encontrar ambientes onde vocĂȘ sente que importa protege contra a solidĂŁo e a sensação de nĂŁo ter importĂąncia que pode surgir na aposentadoria”, comenta Jennifer.

Fonte EstadĂŁo

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