Por Raquel Landim / Estadão – As notícias sobre as relações próximas entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro se sucedem e nada acontece. Nem mesmo a gritaria de sempre no Congresso Nacional.
É um sinal grave do aparelhamento dos órgãos de investigação e da falha do sistema de pesos e contrapesos que deveria reger a República.
Graças ao trabalho investigativo da imprensa, as revelações se avolumam.
Contra Moraes pesam o contrato de R$ 129 milhões de sua esposa com o Master, as trocas de mensagens no dia da prisão de Vorcaro, e agora as viagens no avião de uma empresa do ex-banqueiro.
Já Toffoli está envolvido na venda da participação de resort de luxo do Paraná, foi relator do caso e brecou a investigação, e também voou nos jatinhos da empresa de Vorcaro.
O ministro Nunes Marques também apareceu na confusão depois que uma consultoria tributária que recebeu dinheiro do banco subcontratou seu filho.
Os parlamentares fizeram uma série de representações à Procuradoria Geral da República (PGR), que disse que não havia nada o que investigar.
Tentaram via Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) e tiveram quebras de sigilo e tentativas de ouvir testemunhas barradas pelo STF. A prorrogação da CPMI do INSS foi negada pelo Supremo numa mudança de entendimento e não há motivos para acreditar que a CPI do Crime Organizado, que termina dia 14, terá destino diferente.
Uma CPI do Master sequer chegou a sair da gaveta dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, David Alcolumbre.
Resta ainda a delação de Daniel Vorcaro, que está nas mãos da Polícia Federal e da PGR, sob supervisão do ministro André Mendonça.
Vorcaro resiste a se admitir um criminoso e a falar sobre suas relações com ministros do Supremo, porque, mesmo que passe pelo crivo de Mendonça, pode esbarrar na resistência de outros colegas do tribunal.
Os parlamentares jogaram a toalha diante da blindagem. Decidiram partir para as eleições e ganhar no voto a força para controlar o Congresso. E já falam nos bastidores, mesmo os mais moderados, em impeachment dos ministros do STF.
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