O Brasil alcançou, segundo dados do Banco Central, a marca de 243 milhões de cartões de crédito ativos no primeiro semestre de 2025, número que supera em cerca de 30 milhões a população estimada em 213,4 milhões de habitantes pelo IBGE, um crescimento quase triplo em pouco mais de uma década.
Embora o setor celebre o boom de transações, que movimentaram R$ 3,1 trilhões em 2025, essa proliferação revela um lado sombrio: a financeirização excessiva da vida cotidiana, onde bancos e fintechs competem ferozmente por clientes com ofertas agressivas de limites e parcelamentos, muitas vezes sem avaliar adequadamente a capacidade de pagamento.
O resultado é o avanço do superendividamento, com dezenas de milhões de brasileiros presos ao rotativo de juros extorsivos, acima de 100% ao ano em muitos casos, transformando o “crédito fácil” em uma armadilha que compromete salários, aumenta a inadimplência e aprofunda desigualdades, em vez de promover inclusão financeira sustentável.
Em vez de festejar mais plástico nas carteiras, seria urgente questionar se o modelo atual não está sacrificando o futuro das famílias no altar do consumo imediato e dos lucros bancários.
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