Folha de S. Paulo – O governo central registrou um déficit primário de R$ 73,783 bilhões em março deste ano, informou o Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29). O resultado, o pior para o mês da série histórica iniciada em 1997, sofreu o impacto de uma antecipação em pagamentos de precatórios, segundo o governo.
Geralmente, a maior parte dos desembolsos com decisões judiciais acontece um pouco mais à frente no ano. Foi o caso no ano passado, quando a “torre de pagamento” ocorreu em julho.
Ainda assim, o resultado foi pior do que os analistas esperavam. A expectativa de economistas consultados pela agência Reuters era de um déficit de R$ 71,6 bilhões. No mesmo mês de 2025, houve superávit de R$ 1,527 bilhão.
Em março de 2025, foram desembolsados R$ 357 milhões em precatórios. Neste ano, esse valor foi de R$ 35,3 bilhões.
Marcus Pestana, da IFI (Instituição Fiscal Independente, um órgão ligado ao Senado) afirma que trata-se de uma gestão de fluxo de pagamentos, mas que essa antecipação não chega a “acender uma luz amarela em relação à capacidade de cumprimento das metas de resultado primário de 2026”. Ele lembra que o resultado de fevereiro foi levemente acima das expectativas.
O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas —que excluem transferências para governos regionais— de R$ 196,098 bilhões, um aumento real de 7,5% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$ 269,881 bilhões, alta real de 49,2%.
O Tesouro também diz nas notas que outro fator importante para o resultado foi a concessão dos reajustes salariais ao funcionalismo público federal em 2025 e 2026. “Ressalta-se que, em 2025, os efeitos financeiros do reajuste se materializaram a partir do mês de maio”, afirma.
No primeiro trimestre de 2026, o governo registrou déficit de R$ 17,1 bilhões. No mesmo período do ano passado, houve um superávit de R$ 55 bilhões. A despesa total teve alta de 18,2%, e a receita cresceu a uma taxa menor (4,2%).
A arrecadação com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) saltou 49,7% em relação ao mesmo mês de 2025. Foram R$ 2,8 bilhões arrecadados —reflexo de operações de câmbio e crédito e da elevação de alíquotas no ano passado.
Por outro lado, os dividendos e participações de lucros de estatais tiveram uma redução de 40,4%. Segundo o Tesouro, “a redução da rubrica refletiu, em grande parte, os menores pagamentos realizados pela Petrobras (-R$ 1,7 bilhão), Banco do Brasil (-R$ 1,1 bilhão) e Eletrobras (-R$ 611,5 milhões)”.
No acumulado em 12 meses, o governo central registrou um déficit de R$ 136,5 bilhões, ou 1,03% do PIB (Produto Interno Bruto).
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