sexta-feira, 17 de abril de 2026

Brasil do século 21 ainda nega acesso a água potável há quase 70% das famílias rurais

Apesar do avanço para 86,1% dos domicílios brasileiros com acesso à rede geral de abastecimento de água em 2025, totalizando 68,3 milhões de residências, segundo a PNAD Contínua do IBGE divulgada nesta sexta-feira (17), o país segue expondo uma vergonhosa desigualdade estrutural que condena milhões de brasileiros, especialmente no campo, a uma realidade de precariedade e risco sanitário.

Enquanto nas áreas urbanas a cobertura chega a respeitáveis 93,1% das 70,2 milhões de residências, nas zonas rurais, onde vivem 9,1 milhões de domicílios, o índice patina em míseros 31,7%, abaixo de 50% em todas as regiões, deixando mais de 11 milhões de lares dependentes de poços, cacimbas, caminhões-pipa ou rios contaminados.

Esse abismo revela a ineficiência crônica de sucessivos governos e do próprio Marco Legal do Saneamento: após décadas de promessas, investimentos insuficientes e concentração de recursos nas grandes cidades, o Brasil ainda trata o interior como território de segunda classe, onde falta infraestrutura básica, perpetuando ciclos de pobreza, doenças hídricas e exclusão social.

O “avanço” celebrado mascara uma omissão histórica que transforma o direito fundamental à água potável em privilégio urbano, enquanto o campo brasileiro, celeiro da nação, continua sedento por políticas públicas sérias e efetivas.

Fonte: Diário 360

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